Eu não sou a mesma pessoa que eu era no início desse ano, assim como também não sou a mesma do meio do ano. O nome é o mesmo, óbvio, alguns traços de personalidade também. Só que eu não me sinto a mesma pessoa. Não sei dizer se me tornei algo bom ou ruim. Só sei que me tornei algo. Também não sei dizer se sentirei saudade do que já fui. Talvez um pouco ou talvez nada. O problema é que não sei também dizer se me perdi de mim, ou se me encontrei mais. Ainda não me sinto 100%. Não sei se estou sendo o que quero ser. Olha, para falar a verdade, eu já não sei de quase nada. A vida tem pegado pesado ultimamente e eu ando fazendo o possível para continuar caminhando em frente, mesmo com todos esses cascalhos pontiagudos no chão onde eu piso com os pés descalços. Vou me adaptando a dor e andando. Dizem que é pior se você desiste. Eu não quero desistir. Juro. Mas confesso que já pensei várias vezes nessa possibilidade. Ora! Quem nunca, não é verdade? Porém sigo caminhando, só não sei por quanto tempo mais. E tudo isso vai me moldando feito uma massinha de modelar nas mãos de uma criança. As consequências cotidianas vão me modificando. Como fazem com todas as pessoas. Me perdoa se eu não for mais quem eu era antes. A culpa não é exatamente minha. Só estou me adaptando as novas fases. Prometo tentar ser sempre uma pessoa boa, na medida do possível. Prometo. Contudo, lhe peço calma e paciência. Ainda sou um ser humano e por isso, cheia de falhas.
Mariana Krusemark
